quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Desenvolvimento de produtos para novas demandas

Para quem for fazer pesquisa, temos algumas sugestões de questões cujas respostas seriam muito úteis na estratégia e desenvolvimento ou melhoria de produtos ou identificação de demandas ocultas.


Direcionada às classes C e D:

O que você consumiria mensalmente (que não consome hoje) se tivesse 100 reais a mais no seu salário?


1 - Fraldas descartáveis, produtos para o cabelo, perfumes, hidratantes ou cosméticos em geral?

2 – Passeios, restaurantes, comida com entrega em domicilio, bares, festas, cinema?

3 – Tapetes, cortinas, mobília, decoração em geral, material de construção e reforma?

4 – Frutas, cereais, suplementos alimentares?

5 – TV a cabo, internet banda larga, planos de telefonia móvel?



Um dado já notório é o de que as classes C e D passaram a consumir, o que se considera, produtos supérfluos como doces, iogurtes, sucos e etc isso porque sua renda aumentou e algumas empresas modificaram produtos e criaram outros para responder essa demanda.


Provavelmente essas empresas, que não brincam em serviço, tinham em mãos o resultado de uma pesquisa semelhante a essa que eu propus. Identificaram que as classes C e D desejavam comprar supérfluos, mais especificamente iogurtes e sucos, então tinham a opção de criar novas políticas de preço ou desenvolver produtos adaptados ao consumidor.


(Obviamente o caminho correto para as grandes empresas. Identifica-se o desejo de consumo e cria-se o produto perfeito. Ao invés da ultrapassada formula da criação de demanda através da comunicação persuasiva.)


Surgiram então as Bebidas Lácteas e os Néctares de Fruta. Que nada mais são que bebidas de qualidade inferior e não naturais (aromas e texturas artificiais). Em alguns casos as embalagens desses produtos, obviamente mais baratos, são modernas, coloridas e em outros casos até extravagantes para servir ao propósito do novo consumidor e o seu teatro de ascensão social.


Esses produtos hoje estão consolidados, tendo alcançado, também, boa parcela da classe média.
Tudo isso possível através do conhecimento de um fenômeno novo através de uma pesquisa (provavelmente) e uma resposta rápida e eficaz à demanda identificada. Essa resposta incluiu: Desenvolvimentos de novos produtos, política de preços e designe de embalagens.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Críticas ao logo de guerrilha

Além da enquete com uma pesquisa induzida, fiz também, uma pesquisa espontânea entre profissionais de comunicação e desenho publicitário a respeito do ícone gráfico “Marketing de Guerrilha em João Pessoa” e não poderia ter sido mais produtivo e revelador.

Expus-me a opinião de profissionais em desenho publicitário (conhecidos como designers) e, no geral, o Logo foi considerado uma má execução de uma boa idéia. Consideraram que os elementos não se fundiam a se completar, mas a se confundir e se anular.

Consideraram que era uma marca que trazia ícones com baixa identificação (portanto baixa penetração) entre leigos. A respeito disso não haveria ônus, nem ruído na comunicação já que o público alvo do meu serviço, portanto também alvo da minha comunicação), não seriam leigos e sim agências de publicidade que contratariam a guerrilha como incremento terceirizado.

Fiz uma coletânea das opiniões mais relevantes entre publicitário:

Giuliano Pascualoto consultor em comunicação integrada
“o desenho ta muito complexo pra ser monocromático e muito simples pra ser colorido... bom a idéia vc conseguiu passar sim, dentro do seu contexto ta bom... mas o público precisa entender rápido o que vê, quanse ninguém fora da área de comunicação e muitos dentro não sabem nem o que é marketing, até explicar pra todo mundo vc vai perder muito tempo...”

Esse citou a baixa identificação dos ícones usados.

Alguém que se identificou apenas como marcela:
“Seu desenho não está feio, contem valor conceitual coerente, mas não é LOGO. E quem define se uma "LOGO" é boa não é quem faz, é quem "compra". O megafone tem um nivel baixo de percepção, para aqueles que não se esforçam para ver, mas são forçados (a massa).


Alguém que se identificou apenas como Paulo
“mas se você esta procurando uma agência de mkt de guerrilha, vc sabe o que é isso, não?Logo, seu consumidor terá conhecimento suficiente para identificar o elementos do logo”
Pingo!

Flávio Serpa estudante da escola de comunicação e arte da USP
“Eu sei o que é marketing de guerrilha (estagiei na Espalhe e freelei na LiveAD), acho a idéia do seu logotipo interessante, mas a execução é muito fraca em questão de
design.”

A pesquisa não deixa dúvidas. A idéia deve ser melhor trabalhada na área gráfica.

Todas as opiniões estão aqui:
http://migre.me/4vnU
http://migre.me/4vpF

Continuem opinando.



segunda-feira, 20 de julho de 2009

Zonas Autônomas e a Resistência de guerrilha.

O cenário é sombrio para o pequeno empreendedor, mas há cada vez mais espaço onde lutar e mais oportunidades de se comunicar com eficiência. E será questão de tempo superar as adversidades, com analises frias e estratégias criativas.
(por Antonio Andrade)


Vivemos um tempo atípico, uma época só imaginada nas ficções que reproduziam um futuro sob uma visão pessimista e caótica. Nessa ficção seríamos operários de um poder de âmbito mundial, centralizado e controlador, dono das opiniões e dos desejos, que nos aprisionaria em claustrofóbicos rótulos de classes de consumidores, sufocando revoluções antes que elas nasçam e desencorajando-as dentro de nós mesmos.

(Calma, eu estou falando de marketing e comunicação, sim.)

A existência desse poder nos apresenta uma realidade sufocante que nos faz sentir imperceptíveis, invisíveis, ou se não, forçados a nos adequar a um grupo onde nos identificamos remotamente, tudo isso pelo conforto de pertencer a uma dessas classes. Isso mesmo, conforto. A coação que nos impõe um rótulo seria tão forte que a idéia de não pertencer a nenhum grupo preestabelecido nos seria tão apavorante ao ponto de abnegarmos de características que formam o que somos, para simplesmente pertencer a alguma classe já existente. Esses rótulos materializados em classes de consumidores teriam a função de limitar o número de códigos usados pelo poder (vetor da comunicação) de modo a controlar e facilitar a comunicação conosco, ainda limitando e desencorajando todas as formas de expressão que não proviessem dele, através da auto repressão que nos imporíamos ao vislumbrar uma iminente exclusão. Nesses grupos haveria pouco ou nenhum espaço para manifestações independentes de personalidade. “O uso de estereótipos verbais leva à percepção padronizada de todos os membros de um grupo. Em vez de mostrá-los como indivíduos diferentes entre si, o uso dos estereótipos esquematiza...” (LEMOS, 2003, p 7)

Se o poder citado acima ainda não é real, temos bons indícios de que esse controle centralizado que sufoca as manifestações individuais e despersonaliza as pessoas em classes, caminha a passos largos para uma, pelo menos, parcial concretização.

Conglomerados corporativos, grandes fusões de empresas e empresas que compram o patrimônio físico de outras empresas menores ou em negócios envolvendo milhões, no popular “cobra engolindo cobra”. Isso implica um cenário onde as grandes corporações ficam cada vez maiores e o capital cada dia mais centralizado, reafirmando um cenário nada amistoso para qualquer forma de expressão que não provenha dos vetores unilaterais do poder controlador.

“Cresce ininterruptamente a oferta de mercadorias, mas não pára de se concentrar a propriedade dos meios de comunicação nas mãos de gigantes empresariais — a maioria dos quais sediada nos Estados Unidos — que dispõem de poderio financeiro, visão estratégica, capacidade industrial e esquemas de distribuição pelos continentes.” (MORAES, 2003)



Esse cenário hostil e sufocante abrange naturalmente o terreno do empreendedorismo, desencorajando o surgimento e até a manutenção de pequenas empresas. Através de uma pesquisa referente aos anos de 2000, 2001 e 2002 o SEBRAE afirma que das empresas devidamente regularizadas 49,4% encerram suas atividades em um ano. Em contraste a isso, as grandes corporações adotam estratégias de descentralização de suas ações de comunicação e de suas opções de ofertas, visando atingir classes cada dia mais restritas de consumidores e implementar estratégias de ocupação de mercado.

É necessária uma resistência de marketing fora das áreas já dominadas e ocupadas pelas grandes corporações. Fora das mídias de massa, que dependem de muito investimento e raramente combinam com produtos de mercado segmentado. Fora da opressão das “230 mensagens publicitárias que recebemos em média todos os dias”¹, a batalha deve ser travada em campos neutros, em campos ainda não dominados e policiados. Campos, muitas vezes, sem regras ou com regras muito mais flexíveis do que o mercado publicitário convencional se submete e, de quebra, que não envolvam cifras milionárias.


A busca por esses espaços pode ser dividida em quatro campos de batalha e zonas de possibilidade.

  1. O campo físico: São as ruas e as infinitas possibilidades de intervenções urbanas e contatos sociais diretos ou mediados.
  2. O campo digital: Na internet com suas regras flexíveis, sua capacidade de reunir pessoas e de permitir ação no anonimato.
  3. O campo estético e tático: A capacidade de ser a Vaca Roxa² nos mesmos campos onde pastam as vacas comuns.
  4. O campo estratégico: Novas abordagens de comunicação e a invenção de outros meios e conjuntos de táticas para informar, persuadir ou simplesmente chamar atenção.

    Esses 4 campos são os campos de batalha da resistência de marketing.

Até agora, para me fazer entender e ser claro a respeito do ambiente de autonomia rarefeito, da opressão milionárias das mídias convencionais, eu, intencionalmente fiz com que o cenário parecesse mais desesperador do que realmente é. Na verdade a revolução é inevitável e esse ambiente de opressão atual é insustentável e não durará nem mais uma década. As pessoas se rebelam naturalmente devido a facilidade de se tornarem, além de consumidores, produtores de comunicação e não mais vítimas de uma cultura unilateral, mas agora produzem sua própria cultura de forma anárquica através das zonas autônomas ³ contidas nos quatro campos de batalha que citei acima. Isso torna o fim do absolutismo publicitário e do unilateralismo midiatico questão de tempo.

O que temos mais a nosso favor? A inoperância do regime. A lentidão em se adaptar a necessidade de dialogo com as marcas e a lentidão em se adaptar as tendências de segmentação infinitesimal do mercado. As pessoas querem questionar as notícias e não apenas responder o “boa noite” no final do noticiário.. Esse questionamento e a necessidade da interação vêm de outra crise já não tão nova, a crise de credibilidade dos meios de comunicação em especial das manifestações de caráter mercadológico persuasivo.

Em relação à credibilidade do publicitário, já vimos a pesquisa que coloca esses na segunda pior colocação à frente apenas dos vendedores de carros usados, estes estigmatizados por filmes e desenhos animados que os coloca como mentirosos profissionais. Mas e os publicitários? Quem “fez a cabeça” do público contra esses profissionais?

O fato é que o público tem os publicitários no patamar de artistas criativos a serviço da mentira e da meia verdade. Inclusive até quando podem estar falando a verdade estão passiveis de desconfiança. Como ilustra bem Al Rise² descrevendo o que pensam os consumidores ao lerem anúncios com fatos verdadeiros:

“’Nosso produto contém mais vitaminas, mais minerais e mais proteínas que qualquer outro produto no mercado’. ‘Com certeza 1% a mais’”

Al Rise continua: “Anos atrás, quando havia pouca ou nenhuma propaganda, qualquer uma era eficaz. Os anúncios eram bastante lidos e discutidos. As pessoas procuravam ler os anúncios coloridos da revista Life ou assistir aos comerciais da Texaco Star Theater. Mas não podemos viver no passado. A propaganda não é mais nova e emocionante. Há grandes quantidades dela. A propaganda mudou pra Flórida e se aposentou.”

Essa rejeição ou, na melhor das hipóteses, descrença, se dá pelo caráter unilateral da propaganda convencional. "É uma propaganda, logo eles omitirão os aspectos negativos e exaltarão os positivos, obvio". Portanto não é imparcial e nem é parâmetro na decisão de compra. Outra dificuldade é a linguagem genérica, pouco ou nada segmentada, típica das mensagens em massa, prontamente bloqueadas pela própria seletividade da atenção do consumidor.

A revolução está acontecendo num turbilhão da vontade coletiva, alguns se adaptarão e outros se afogarão. Essa é a escolha que teremos.

Boa Noite (não responda, questione.)



¹ A Queda da Propaganda de Al & Laura Ries


² A Vaca Roxa de Seth Godin


³ Teoria do Hakin Bey o “anarquista ontológico"


LEMOS, Bruno Godinho de: Crime e Meios de Comunicação de Massa. (2003) disponível em www.direitonet.com.br/textos/x/15/82/1582/DN_crime_e_meios_de_comunicacao_de_massa.doc



MORAES, Dênis: A vida na era da saturação midiática. Revista Ciberlegenda no
12, 2003. disponível em http://www.uff.br/mestcii/denis10.htm

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Marketing de Guerrilha em João Pessoa


Proposta de parceria para a implantação
do Marketing de Guerrilha em João Pessoa – PB(por Antonio Andrade S Junior )



O projeto a seguir propõe às agências de publicidade a anexação de uma nova categoria de marketing e ação de comunicação, que completará ou substituirá algumas ações convencionais as quais já agenciam aos seus clientes. É uma modalidade de Marketing muito recente e carente de literatura que a aborde, estando ainda longe de ter sido aproveitada em sua plenitude. Isso abre um leque de possibilidades muito promissor e uma variedade praticamente infinita de ações.

O Marketing de Guerrilha, apesar de recente e inauguralmente direcionado às pequenas e médias empresas, atrai cada vez mais investimento e atenção de grandes anunciantes, devido a sua fórmula que inclui resultados reais a baixíssimo custo. Chegado ao Brasil na década de 90, já é usado nas maiores capitais do Brasil onde já há diversas agências especializadas nessa nova alternativa de marketing que abordaremos nesse projeto.


1 - O que é Marketing de Guerrilha?

Termo criado pelo publicitário americano Jay Conrad Levinson, criador da célebre campanha Homem Marlboro, uma das campanhas publicitárias mais conhecidas e bem sucedidas da história. O termo Marketing de Guerrilha e seu modo tático se inspiram na modalidade de guerra de guerrilha, um tipo de conflito que se caracteriza pela desproporcionalidade das partes envolvidas, mais especificamente pelas táticas de combate usadas por uma parte mais fraca contra uma mais forte.

As guerrilhas se caracterizam por resistir a exércitos mais fortes usando como principal artifício a criatividade, a surpresa, independência, ocultação e o uso de armas improvisadas ou uso alternativo de armas convencionais. Isso trazido para o universo do Marketing nos permite “combater” as grandes marcas e penetrar no ceticismo vigente em relação à propaganda e/ou superar o ruído de informações em que vivemos, com ações não-convencionais e usando mídias alternativas.

Poderíamos simplificar ainda mais o conceito de Marketing de Guerrilha usando a definição oficial divulgada pela America Marketing Association: “...marketing não convencional que pretende obter resultados máximos a partir de recursos mínimos”

Esse é o ponto central da Guerrilha e do Marketing de Guerrilha, resultados a baixíssimo custo. Isso é possível através do planejamento, inovação e uso racional, porém agressivo, da verba de comunicação do cliente. Como isso funciona na prática? É o que veremos a seguir.


2 - Características do Marketing de Guerrilha

Como já foi dito, o Marketing de Guerrilha não tem ainda alcançada, ou sequer conhecida, toda sua potencialidade. Porém, algumas das características, observadas a partir da prática, já podem ser descritas e explicadas de forma teórica. Veremos nesse capítulo duas das mais fortes características do Marketing de Guerrilha que é: a capacidade real de conseguir resultados a baixo custo, criando meios de aproximar-se do público alvo e a capacidade de gerar divulgação espontânea.


2.1 - Minimizando custos e maximizando resultados:

A Guerrilha tem como pilar principal o desenvolvimento de mecanismos que usem a criatividade para minimizar as limitações de recursos. No Marketing e na comunicação isso acontece quando o planejamento foca a necessidade de se alcançar os prováveis clientes de forma incisiva com menos perda financeira possível. Essa perda ocorre, com mais freqüência, ao se usar mídias de massa para atingir público específico. Ou seja, a perda acontece quando se gasta muito para atingir pessoas erradas ou de modo errado.

Sem as verbas de marketing e comunicação das grandes empresas, os pequenos e médios empresários entram em um combate injusto. Essa batalha de resistência é sem duvida uma guerra desigual, isso se evidencia quando no âmbito da propaganda, ambos os lados usam as mesmas armas: tevê, rádio, jornal e outdoor. Mídias geralmente dispendiosas, sendo, em uma guerra, equivalentes a bombardeios aéreos. Além da falta de precisão, há também o grande sacrifício financeiro.

Então dentro da estratégia de Marketing de Guerrilha desenvolvem-se novas mídias a partir de objetos que fazem parte do dia-dia das pessoas e até da paisagem urbana, usando o inusitado como arma de comunicação e a criatividade como forma de adaptar meios que cheguem com mais precisão ao público alvo.


2.1.1 - Mídias de Aproximação:

O desenvolvimento de novas táticas e novas mídias e sua proliferação é uma reação natural em resposta ao cenário atual. O consumidor cada dia mais diversificado exige produtos e conceitos exclusivos, rejeitando as mensagens massificadas e que usem linguagem genérica. Essa reação do consumidor se deve também a sua incapacidade de armazenar a quantidade assustadora de mensagens a que é exposto todos os dias a toda hora. Ele se torna seletivo como forma de filtrar o que lhe é direcionado ou é do seu interesse.

Como ir onde o alvo está, como falar sua língua, como penetrar na sua atenção seletiva e ao mesmo tempo chamar sua atenção dentre tantos bons profissionais querendo fazer o mesmo? O caminho não é fazer melhor o que os outros já fazem e o público já ignora, o caminho é mudar a abordagem de comunicação.

A criatividade nunca foi tão importante na mensagem e agora, mais do que nunca, no formato. A surpresa e a originalidade nos formatos de mídia nunca foram tão importantes quanto nesses tempos de poluição visual, sonora e de uma enxurrada desproporcional a nossa capacidade de memorizar que, Dênis de Moraes (2003), doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ, chama de “saturação midiática”. Ele diz “Para dominar o mercado e rentabilizar os investimentos, as mídias empanturram-nos de doses cavalares de mensagens”. Esse bombardeio de informações não dá chance às pequenas e médias empresas que insistirem em usar as mesmas armas, as mesmas mídias usadas pelas grandes empresas. Essas novas opções de mídias surgem como suporte às novas táticas de comunicação e marketing que procuram se destacar pela simplicidade e criatividade e vêm para ocupar espaços específicos aonde as mídias de massa não chegam com eficiência.

Mídias criadas ou adaptadas ao problema do cliente ou a alguma oportunidade, de modo a atingir diretamente o público alvo ou simplesmente furar a barreira causada pelo ruído de informações publicitárias, chegando ao público de forma mais amigável e direta. Para essas novas mídias dá-se o nome de mídias de aproximação. Vejamos alguns casos de uso de mídias de aproximação:


· Chinelos politizados

A UMP, um partido político francês, distribuiu um chinelo especial para os seus filiados usarem durante as férias de verão. As iniciais do partido impressos no solado em baixo relevo deixavam a sua marca pela areia, dessa maneira transformando seus usuários em spans humanos. Uma ação muito criativa, de relativo baixo custo que aborda o target em seu momento de lazer, aproveitando o êxodo dos veranistas, de modo não invasivo. (blog.grise.com.br - 18 de Setembro de 2006)


· Rede Globo botando um ovo

Para o lançamento da novela Cobras e Lagartos, a Rede Globo coloca a escultura de um ovo gigante em plena Avenida Paulista sem nenhum texto. O ovo se rachou com os dias e no dia do primeiro capítulo da novela o ovo se abriu e cobras e lagartos (esculturas) se revelaram lá de dentro. A ação causou muito boca-a-boca na cidade e alcançou todo o país através de sites e notícias, gerando marketing espontâneo. (blogdeguerrilha.com.br – 24 de Abril de 2006)


· Viagra em paises árabes

Para divulgar o Viagra, em países com muitas restrições legais à alusão da sexualidade no dia-a-dia, restrição essa se estendendo também à publicidade, foram distribuídos capas para serem instaladas nas alavancas de freio de mão dos carros. “De acordo com os farmacêuticos, os homens sorriam quando recebiam os brindes alusivos ao efeito do medicamento.” (blog.grise.com.br - 26 de Fevereiro de 2007)

· Mídia suja

“Para a divulgação da série Dirty Jobs que fala sobre as profissões mais sujas do mundo, a Discovery Channel estampou papéis higiênicos para anunciar a nova temporada da série, na Suécia.” Anúncios de divulgação da séria eram impressos ao longo do rolo de papel. (marketingdeguerrilha.wordpress.com – 27 de Fevereiro de 2007)

· Demonstrando rapidez

A empresa Global Fish, especializada em pesca em alto mar mandou uma mala direta inusitada para seus clientes e prováveis clientes. Mandaram caixas térmicas com um atum congelado dentro. “(...)demonstrando assim sua rapidez desde a coleta até a entrega dos seus peixes.” (marketingdeguerrilha.wordpress.com – 30 de Novembro de 2006)

· Reflexão pós-consumista

A organização não governamental Ayuda en Acción que luta contra o trabalho infantil no mundo, fez uma ação inusitada para chamar atenção para o trabalho infantil em fábricas de sapatos da Ásia e arrecadar doações. “Todo tênis novo vem com aquela papelada dentro pra deixar ele forrado e dar volume. Eles aproveitaram essa papelada e no lugar colocaram desenhos infantis todos amassados. Quando o pessoal abre pra ver o que é aparece a mensagem escrita “Crianças deveriam fazer desenhos, não sapatos. Salve uma Criança 902 402 404” (marketingdeguerrilha.wordpress.com – 24 de Novembro de 2006)


Essas foram apenas algumas típicas ações de guerrilha que usaram a criatividade ao invés de pesado investimento financeiro e utilizaram o inusitado como arma de propagação espontânea da mensagem. Essa propagação espontânea e as técnicas para começar, manter e/ou prolongar a propagação de uma mensagem publicitária, quase sempre a baixíssimo custo, é chamado Buzz Marketing.


2.2 – Divulgação espontânea

Uma das características da guerrilha trazida para o marketing é a capacidade de gerar divulgação espontânea através da repercussão de suas ações. A essa técnica dá-se o nome de Buzz Marketing e é, hoje em dia, uma característica indissociável dessa nova abordagem de comunicação que é o Marketing de Guerrilha. Buzz Marketing é o famoso Marketing de Boca ou Marketing Boca-a-boca. Segundo o site buzzmarketing.com (2006) Buzz Marketing se define como “capturar a atenção dos consumidores e da mídia até o ponto em que falar sobre sua marca torna-se divertido, fascinante e digna de ser notícia. É uma maneira de iniciar conversas.”.

Nessa definição capta-se a característica supracitada que é ir além do baixo custo de produção. Uma estratégia de guerrilha bem arquitetada e criativa gerará o zumzumzum necessário para se colher os benefícios do Buzz Marketing. O próprio zumzumzum a respeito de sua ação de comunicação já é o princípio desses benefícios, quando pessoas que não foram atingidas diretamente pela mensagem divulgada através da ação de comunicação serão atingidas de forma indireta a partir dos comentários que a eles chegariam. Quando isso acontece, já podemos dizer que começamos a sentir os efeitos do Buzz Marketing.

O site Buzzoodle.com, especializado em Guerrilha e Buzz define: “Buzz Marketing é quando algo grande acontece, ou quando coisas pequenas acontecem numa constância suficiente fazendo com que o boca-a-boca comece a crescer.” Porem o zumzumzum é só uma parcela do que ainda pode-se ter. Mais uma vez enfatizando, uma ação de guerrilha bem planejada e criativa poderá ir além do baixo custo e da agradável sensação de ter as pessoas falando do seu produto, serviço ou marca nas ruas. Em graus mais avançados do boca-a-boca pode-se obter ajuda espontânea e divulgação gratuita do seu produto, serviço ou marca em mídias de massa através de notícias que falem espontaneamente de sua ação. O blog de jornalismo independente br.br101.org define os objetivos de uma boa ação de Marketing de Guerrilha e dá alguns exemplos de ações que geraram buzz nos Estados Unidos:

“O objetivo é mostrar sua marca gerando eventos que possam ganhar espaço nos noticiários ou atrair a atenção direta do público alvo sem pagar espaços publicitários nas mídias tradicionais como rádio, televisão, jornais e revistas. Uma reportagem da tradicional revista inglesa "The Economist" traz alguns exemplos interessantes de idéias usadas na divulgação de alguns sites. Em Nova York, por volta de oito mil carteiras foram espalhadas nas calçadas de Manhanttan. Ao invés de dinheiro, cheques ou documentos, os curiosos de Nova York encontraram dentro das carteiras um cartão com uma mensagem e o endereço do site CharityCounts.com, criado para receber doações para instituições de caridade. No ano passado, um comboio de 20 carros amassados e soltando fumaça se arrastaram por ruas de Nova York e Los Angeles para promover o lançamento do Driver 2, um videogame de perseguição de carros.” (br.br101.org 2006)

Aqui no Brasil várias ações de guerrilha foram implementadas, mas nenhuma teve tanta repercussão nos últimos tempos quanto a campanha que perguntava: “o que tem no copo vermelho?”

Trata-se de uma campanha da indústria de bebidas Johnny Walker, “veiculada” nas cidades de São Paulo, Recife e Salvador simultaneamente. Essa campanha teve o suporte de duas mídias; a internet, com o site www.oquetemnocopovermelho.com.br e uma comunidade no site de relacionamento Orkut, e mídias alternativas como pinturas em stencil* em muros e instalações em lugares de muita circulação nas três cidades supracitadas. Essas instalações eram cilindros de 2 metros de altura pintados de vermelho e equipados com um olho mágico. Os pedestres eram incentivados a escrever sua sugestão sobre o que havia no copo vermelho e jogar o papel dentro do cilindro. Essa pergunta se alastrou pela internet em centenas de blogs e sites de notícias quando, até o momento, ninguém imaginava se tratar de uma campanha publicitária. Lucas de Oliveira, colunista da sessão “O que rola” da pagina IGjovem comenta:


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* Método de pintura que usa uma forma fixa recortada em uma lâmina plástica.

“Um enorme copo vermelho tem despertado a curiosidade de quem passa pela Avenida Paulista, em São Paulo. O estranho e grande objeto é, na verdade, uma escultura do artista plástico Jaime Prades, que quer colocar os transeuntes da metrópole para refletir sobre sua criação. A idéia é convidar o público a responder a pergunta: o que tem no copo vermelho? Depois de espiar, você pode dar sua opinião em uma cédula e jogá-la dentro da obra. Que fique claro que é tudo uma brincadeira, não vale prêmio e pode ser que o autor nunca revele a verdade!” (igjovem.ig.com.br)


A verdade foi revelada sim, mas não antes de mobilizar milhares de pessoas que palpitavam e propagavam a pergunta aos amigos. A pergunta gerou muito buzz e divulgação espontânea na internet. As pessoas arriscavam palpites absurdos em comunidades do Orkut e no próprio site oficial. Paralelo a isso o site promoveu um concurso de melhor estampa de camiseta com a frase carro chefe da campanha e abriu espaço para expor fotografias, com o tema Copo Vermelho, enviadas pelos usuários. Por fim, revelou-se o que havia no copo vermelho com uma grande festa onde donos de blogs consagrados na internet foram convidados.
Como na definição do site Buzzoodle.com, Buzz Marketing “é quando algo grande acontece ou coisas pequenas acontecem, fazendo com que o boca-a-boca comece a crescer”. Isso foi bem o que tivemos nesse exemplo de forma muito eficiente. Vez que aconteceu uma sucessão de pequenas ações sustentadas por um site e uma comunidade no Orkut gerando buzz suficiente para o lançamento nacional de um produto.


2.2.1 - Eficiência da divulgação espontânea

Uma pesquisa do instituto Gallup**, que testou a percepção pública de honestidade de 32 profissões, mostrou que os publicitários carecem de credibilidade. A pesquisa estabeleceu um ranking onde os publicitários aparecem em penúltimo lugar, na frente apenas dos vendedores de carros usados. Nesse cenário, a divulgação espontânea passa a ser não só uma alternativa mais uma necessidade. Clientes que divulgam um produto e/ou o conceito de uma marca são mais eficientes do que uma simples propaganda onde a própria empresa diz: “sim, somos bons.”.

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** extraído do livro, RIES, Al & Laura – A Queda da Publicidade, 2003 editora Campus

Essa eficiência pode ser confirmada através de outra pesquisa divulgada pelo periódico Meio & Mensagem de 12 de janeiro de 2007 onde a eficácia do boca-a-boca é atestada. Segundo a pesquisa, os consumidores de eletrônicos e automóveis são influenciados em primeiro lugar pelo boca-a-boca em média 10% mais que a publicidade em mídias com TV, rádio e jornal. Isso, é claro, se o produto for realmente bom. (www.blogdeguerrilha.com.br – 05 de março de 2007)



3 – Desdobramentos do Marketing de Guerrilha


Como plataforma teórica o Marketing de Guerrilha dá suporte a uma infinidade de novas maneiras de se propagar uma mensagem ou se divulgar uma marca e seu conceito. A natureza do marketing já é propensa à adaptação já que, na busca de satisfazer os anseios populares, o marketing deve estar bem inteirado das novas tendências de mercado e comportamento do consumidor. O Professor Raimar Richers, da Fundação Getúlio Vargas, define marketing como “entender e atender o mercado” numa clara alusão à natureza do marketing de adaptar-se ao mercado.

Foi-se o tempo que mensagens imperativas, trocadilhos ou piadinhas vendiam produtos. O mercado consumidor anda cético em relação à propaganda e isso, é hoje, o principal empecilho para a concretização eficiente da comunicação publicitária. Sendo assim, o caminho para a sobrevivência da publicidade é: cada dia parecer menos com publicidade.


3.1 – Advertainment

O cenário atual, o ceticismo diante da publicidade fez esse ramo do marketing caminhar para uma reciclagem que consiste basicamente em camuflar a publicidade como elemento natural do dia-dia das pessoas sem que pareça de fato publicidade, dissimulando muitas vezes sua função principal. Traz-se então a publicidade para além de onde se espera que a publicidade esteja, para além dos espaços publicitários nos intervalos da programação na televisão e rádio, para além dos outdoors e etc. Trazendo a publicidade para o dia-dia e para dentro da programação, camuflada de entretenimento. A esse fenômeno deu-se o nome de Advertainment, que é a fusão das palavras publicidade (advertising) e entretenimento (entertainment). Nesse novo formato os anúncios “...fantasiam-se de acordo com o meio e o veículo que estão inseridos, adquirindo a essência do conteúdo apresentado. Assim, deixam de interromper o consumidor, apresentando-se como parte integrante do referido conteúdo.” (NOGUEIRA, 2004 p41)



3.2 – Táticas lúdico-artísticas


Geralmente o Marketing de Guerrilha e suas estratégias são usadas por ONGs e outras entidades sem fins lucrativos por terem verbas publicitárias mais baixas, para estimular engajamento social e ideológico em contraponto a publicidade que visa estimular o consumo, essas dominando os meios de massa. Essas entidades se valem de uma estratégia nova, porém cada dia mais usada. Assis explica “Em contraposição a táticas de violência – verbal, física, armada - , os manifestantes buscam a brincadeira, a ‘bagunça’, a ironia, a irreverência, a paródia e a teatralidade como táticas-chaves de oposição”. Táticas que trazem, em si, fundamentos da guerrilha como o método inusitado e a surpresa em forma de emboscadas adaptando-se, para também, conseguir a atenção da mídia.

O efeito da utilização de elementos lúdico-artísticos... é uma certa “surpresa estética” inesperada que ao mesmo tempo surpreende a força a que o movimento se opõe e ganha a atenção do público-alvo que se deseja conscientizar: ... nota-se que há uma tendência à adequação do discurso (como fala, como imagem e como estratégia) do movimento perante as câmeras de foto e vídeo, o olhar e o questionamento dos jornalistas e também perante os consumidores destas imagens e textos que assim conhecerão o movimento, suas reivindicações e idéias. (ASSIS, 2005 p8)


Na técnica de obter publicidade espontânea e visibilidade à sua causa, através de ações de guerrilha lúdico-artisticas a entidade Greenpeace é ícone e pioneira. Instituição que tem como causa a conscientização da necessidade de preservar o meio ambiente, usa além de meios convencionais, como VT’s, também meios não convencionais. Em uma tática de guerrilha chamada de emboscada “ataques tipificados por surpresa” (Merighella 1967) grupos de agentes do Greenpeace, para chamar atenção à necessidade de se poupar energia, invadiram bares, restaurantes e até escolas na cidade de Mumbai na Índia, trocando lâmpadas desses locais por lâmpadas econômicas.

O grupo GreenPeace fez uma excelente ação de guerrilha para conscientizar as pessoas sobre o desperdício de energia. Atacaram a cidade de Mumbai entrando em escolas, bares, restaurantes, e trocando as lâmpadas destes estabelecimentos sem mais nem menos. Qual era a missão? Cortar o custo de energia da cidade de Mumbai. Ao utilizarem lâmpadas (econômicas) o grupo conseguiu alcançar o seu objetivo e atrair atenção para suas causas. (marketingdeguerrilha.wordpress.com 27 de novembro de 2006)


Outra ação de guerrilha do Greenpeace para gerar Buzz foi no porto de Paranaguá, quando protestavam contra a importação de soja transgênicas. “Seus ativistas se acorrentaram ao equipamento que carregaria soja em um navio cheio de soja transgênica” (blogdeguerrilha.com.br) o Blog de Guerrilha constata o sucesso da ação em gerar marketing espontâneo, talvez com um certo exagero “Saiu semana passada em todos os jornais”.(grifo nosso).

Nota-se nessas ações a “surpresa estética” e a “teatralidade” citada por Assis (2005) como características de ações lúdico-artisticas em estratégias relativamente baratas e inusitadas de se conseguir mídia espontânea, típicas das guerrilhas.
Entre as muitas possibilidades de se usar marketing não convencional para economizar e gerar divulgação espontâneo, ainda podemos contar com ferramentas como PR stunt, Ambush Marketing e uso de mídias sociais. Todas essas com mais desdobramentos permitindo criar ações perfeitamente adequadas as necessidades do cliente.



4 – Marketing de Guerrilha e Mídias Alternativas para pequenas empresas

A realidade de uma pequena empresa distingue-se de uma empresa de grande porte, sobretudo na fragilidade de suas finanças. Porém nem tudo são dificuldades. A desburocratização no contato entre cliente e dono, a fácil comunicação interna, a maior liberdade para arriscar e a adaptabilidade rápida as mudanças do mercado, são características que, se bem usadas, tornam as pequenas empresas, apesar de suas limitações, combativas no mercado. Porém a consciência dessas limitações e distinções com as grandes empresas, podem fazer com que usem seus pontos forte com mais eficiência.

Uma questão importante para a pequena empresa, quando esta decide usar publicidade e propaganda, é a escolha da mídia certa, adequada ao perfil do seu consumidor e as suas possibilidades financeiras e a escolha de qual estratégia da área de marketing deveria adotar.

Como vimos, o marketing de guerrilha é o suporte para ações inusitadas, de baixo custo, que ganham repercussão e divulgaçãe espontânea, suportadas pelo uso de mídias alternativas. Muitas dessas mídias, além de não exigirem o custo de veiculação, como as mídias convencionais, ainda têm um poder de penetração e de relação meio/mensagem e segmentação especialmente notáveis.

Sob essa análise, as mídias alternativas em estratégias de Marketing de Guerrilha são absolutamente recomendáveis às pequenas empresas. Isso as tiraria da dependência das mídias convencionais, caras e de impacto duvidoso. Segundo Sissors e Bumba (2001) as mídias ditas convencionais nem sempre têm o poder de impacto que as pesquisas mostram, geralmente, em números impressionantes. Os comerciais de TV as vezes passam despercebidos mesmo com audiência muito grande registrada. A tiragem de uma revista e os exemplares para assinantes nem sempre são lidos e as vezes nem sequer são abertos. Os autores ainda indicam que um indivíduo alcançado pela cobertura de um meio nem sempre se torna um consumidor. “Tudo isso sugere que há mais por trás da escolha do veículo da mídia do que encontrar aquele capaz de alcançar uma grande audiência.” (SISSORS E BUMBA; 2001 p74). A insistência em usarem meios como TV, jornal e outdoor têm também como outro ponto negativo serem as mesmas armas que usam a concorrência, que, no caso de serem grandes empresas possuem mais recursos e usarão melhor o meio direcionando mais verba, produzindo peças de qualidade superior.

As mídias alternativas em estratégia de Marketing de Guerrilha são uma excelente arma para aproveitar o que talvez seja a maior oportunidade, hoje, para agências de publicidade. Oportunidade para agências que se especializem em atender pequenas empresas. Não apenas buscar atender, abrir espaço e oferecer o serviço, como também estar preparado para receber uma conta de uma pequena empresa e saber lidar com verbas bem mais baixas e, às vezes, público bem mais restrito e segmentado.

Segundo números do SEBRAE, 99,2% de todas as empresas em operação no Brasil são de micro e pequeno porte. Sendo assim apenas 0,8% são empresas de médio e grande porte. Marcel Antunes, Sócio-Diretor da agência ABC&Z Publicidade Ilimitada, especializada em atender pequenas e médias empresas, em seu artigo “Publicidade para Pequenas Empresas”, publicado no site calltocall.com.br, chama atenção para o congestionamento causado pelo desconhecimento da proporção entre o número de pequenas e grandes empresas no Brasil que faz com que praticamente todas as agências digladiem entre si por uma “fatia de mercado” que representa menos de 1% do total. A outra porcentagem, imaginando não ter condições financeiras para pagar o serviço de uma agência (muitas vezes não têm mesmo, pois as agências não estão preparadas) decidem por conta própria, sem conhecimento algum, realizarem sua própria divulgação. Segundo Marcel Antunes, para esses que decidem isso “o quadro não é muito animador” e ao perceberem que não obtiveram o “retorno satisfatório” se desiludem com a publicidade e, por julgá-la ineficaz, desistem de novas tentativas. Isso acontece pelo desconhecimento do caráter científico da profissão de publicitário e por falta de agências preparadas para receber pequenas empresas.


Marcel Antunes da um alerta às agências e aos pequenos empresários:

...agências e profissionais de publicidade. Mudem sua visão... (e olhem para) as pequenas (empresas), que são imensa maioria no Brasil e querem ajuda especializada. Ignorar esse mercado é sinal de soberba ou de uma privação total de visão mercadológica. (pequenos empresários que não anunciam) procurem uma agência de publicidade que trabalhe com empresas de menor porte, pois já está provado que não são necessários milhares de reais para divulgar sua empresa. (calltocall.com.br 2007)

Estar preparado começa pela conscientização das necessidades diferenciadas de uma pequena empresa. Dentro da função de mídia, não propor apenas meios de massa, esse que, além de consumirem verba em demasia, alcançarão uma audiência muito dispersa em segmentação. O erro da mídia de massa para pequenas empresas é que, essa mídia, corre o real risco de ser totalmente ignoradas pelo público e, na opinião do Marcel Antunes, na melhor das hipóteses, movimentarão consumidores além da sua capacidade de distribuição e produção. Situação frustrante para a empresa e principalmente para o consumidor.

Conscientes então das diferenças estruturais e de necessidades de comunicação que uma pequena empresa tem, publicitários devem se encaminhar, se querem aproveitar esses 99,2% do mercado, ao desenvolvimento de estratégias mais baratas e principalmente mais criativas que aproveitem as limitadas verbas, atingindo seu consumidor e provável consumidor com mais precisão, com formatos inusitados aumentando o índice de lembrança e até gerando divulgação espontânea.
























Referências bibliográficas:


LEVINSON, Jay Conrad. Marketing de guerrilha. São Paulo: Best Seller (1989)

SISSORS, Jack Z. & . BUMBA, Lincoln J. – Planejamento de Mídia. São Paulo, Nobel (2001)

RIES, Al & Laura – A Queda da Publicidade, São Paulo, Campus (2003)

MERIGHELLA, Carlos. Mini-manual do guerrilheiro urbano; La Habana, (1967)



Trabalhos acadêmicos:

ASSIS, Érico Gonçalves de: O Novo Protesto: Táticas de Manifestação Midiatizadas em Movimentos Sociais. UNISINOS. Disponível em Google Acadêmico

MORAES, Dênis: A vida na era da saturação midiática. Revista Ciberlegenda no
12, 2003. disponível em Google Acadêmico

NOGUEIRA, Pedro Porto: A Reinvenção da Publicidade. (2004) Universidade Estácio de Sá. Curso de Comunicação Social. Publicidade E Propaganda. disponível em Guerrilhapedia


Artigos On-line:

- http://www.blogdeguerrilha.com.br Artigo: Cobras e Lagartos na Paulista. De 18 de abril de 2006 – acessado em 17 de março de 2007

- http://www.igjovem.ig.com.br Sessão: O que rola? Artigo: Adivinhe o que tem no copo vermelho. Acessado em 17 de março de 2007

- http://br.br101.org Artigo: Marketing de Guerrilha. De 27 de Novembro de 2000 – acessado em 17 de março de 2007

- http://www.Buzzoodle.com Artigo: Buzzoodle: Tools and Guidance in Innovative Marketing. – acessado em 3 de Maio de 2007

- http://www.buzzmarketing.com Sessão: Philosophy, Artigo: Pull vs. Push – acessado em 3 de Maio de 2007

- http://marketingdeguerrilha.wordpress.com Sessão: Buzz Marketing offline. Artigos: Discovery Channel utiliza papel higiênico para divulgar série de TV de 27 de Fevereiro de 2007 e Global Fish envia peixe congelado por correio de 30 de Novembro de 2006 e Ação de Guerrilha social em caixas de sapato de 24 de Novembro de 2006 – acessados em 17 de março de 2007

- http://www.blog.grise.com.br Artigo: Como anunciar VIAGRA para os árabes? De 26 de Fevereiro de 2007 – acessado em 17 de março de 2007

- http://pt.wikipedia.org Artigo: Guerrilha. De 2007 (passível de modificação) – acessado em 20 de Fevereiro de 2007

- http://www.branu.com Artigo: Marketing de Guerrilha. De 2007 – acessado em 20 de Fevereiro de 2007

- http://www.revistaparadoxo.com Artigo: O que tem no copo vermelho? De 23 de Maio de 2006 – acessado em 22 de Fevereiro de 2007

- http://acreditesequiser.blogspot.com Artigo: Torta na cara de Berzoini: inaceitável? De 12 de Fevereiro de 2004 – acessado em 6 de maio de 2007

- http://www.universoqualidade.com.br Artigo: Marketing do Novo Século. Acessado em 17 de março de 2007

- http://www.sebraees.com.br Artigo: Propaganda na Pequena Empresa. De 04 de Janeiro de 2004 – acessado em 9 de maio de 2006.






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